Random Conversation (complete) / Begging
15 de dez. de 2010
A brisa do inverno irlandês a afetou assim que chegou ao closet enquanto ainda derramava algumas gotas por onde passava. Jogou a toalha em algum canto e puxou sua camisola, percorrendo o dedo enrugado por conta da água através da seda. Assim que a vestiu pode sentir o contato do quente com sua pele fria, mesmo que pequena, a camisola a esquentava, porém não o suficiente. Faltava calor humano.
Afastou-se do closet adentrando no quarto. Silêncio desconfortável. Pode ver a silhueta do peitoral nu tão conhecido. Ele estava sentado na cama com as mãos juntadas, o corpo inclinado para frente e olhava para baixo. Seus cabelos curtos e castanhos assim como seus olhos um pouco mais escuros eram em sincronia com sua pele levemente bronzeada e seu corpo musculoso.
A luz da lua cheia que se encontrava através da sacada – a direção para qual ele estava virado – contornava suas feições e as de todos os móveis do quarto que era composto por cores pastéis.
─ Olá. ─ ela proferiu fazendo com que sua voz saísse mais como um sussurro, mas que ele foi capaz de ouvir. Aquela voz que ele desejava esquecer. A menina se aproximou enquanto mordia os lábios. Não tinha palavras naquele instante, só esperava uma resposta para ver se ele ainda estava ali, dentro daquele corpo quase intacto.
─ Hey. ─ ele disse apenas por educação e tentando domar sua própria mente. Talvez na verdade fosse apenas aquela voz que ele queria ouvir, quem sabe ter uma overdose dela, ele não se importava.
─ Você está bem? ─ ela arriscou novamente.
─ Uhum. ─ Foi apenas um murmuro imediato como se ele já soubesse que ela só perguntava aquilo por formalidade. Ela sabia que ele não estava. Ele apenas recebeu um murmuro de volta e sentiu um peso do outro lado da cama. Ela não estava perto dele, eles estavam sentados um de costa para o outro, não era para ela ainda estar lá.
─ Então você só está aqui para perguntar se eu estou bem e ficar sentada aí? ─ Ele foi rude, porém a presença dela o afetava em grande escala, ele suava em suas mãos que se apertavam cada vez mais.
─ Não. ─ respondeu automaticamente. Sua voz estava pesada e ela sentiu que poderia chorar a qualquer instante.
─ Então, por favor, seja rápida. ─ aumentou um pouco o tom de voz logo depois o abaixando ─ Eu preciso de um tempo para aproveitar minha solidão.
─ Eu tenho que dizer isso... Não foi sua culpa. Digo, nós dois não poderíamos imaginar o que tudo seria realmente. E eu quero que você me perdoe porque se não eu terei de fazer algo que eu realmente não quero.
─ O quê?
Nesse momento ele pôde perceber pelo movimento da cama que ela havia virado o corpo em direção às costas dele com as mãos apoiadas no colchão e uma das pernas dobradas.
─ Vou ter que implorar. ─ não saiu com toda a firmeza que ela queria. Ele percebeu e fez questão de virar para encarar aquele outro par de olhos castanhos que o hipnotizavam. Mas ele os encarava com certo desprezo mesmo que por dentro estivesse sentindo vontade de fazer com que aqueles olhos tristes desapareçam com um abraço.
─ Por que você não tenta? Seria tão agradável! ─ ele cuspia as palavras sarcásticas para ela enquanto mantinha os olhos semicerrados. Fez uma cara retraída como se estivesse pensando e continuou ignorando aquele par de olhos implorando. ─ Não, espera. Você não consegue ser agradável.
─ Nós realmente precisamos disso? ─ ela perguntou enquanto entortava o canto da boca e espremia mais os olhos que estavam começando a ficar avermelhados.
─ Sim, nós precisamos. Porque foi essa coisa de implorar desde o início. ─ o garoto disse enquanto levantava massageando os próprios ombros largos e ficando de costas para ele.
─ Então você acha que esse é o nosso problema? ─ ela perguntou enquanto inclinava-se em direção ao outro lado da cama para se levantar também.
─ Não. É apenas o meu problema. O seu problema é precisar disso. ─ as palavras dele saíam com mágoa ─ E então você vem aqui e me pergunta se eu estou bem. Esse é meu segundo problema. Achar que eu estou sempre bem quando eu estou perto de você.
─ Então não é verdade. ─ A loira indagou enquanto andava um passo em sua direção, estavam com uma distância de um metro e meio que parecia ainda menor. O silêncio permaneceu por um tempo enquanto ela se aproximava e ele se encostava na sacada. Ela podia ver seu corpo que só era coberto por uma calça de malha.
─ Eu não sei. ─ ele por fim respondeu quando ela já estava na porta da sacada cerca de quatro passos longe dele. ─ Eu não sei de nada agora. ─ Mais uma longa pausa. ─ Eu só acho que você deveria ir.
─ Eu não quero. ─ ela murmurou encostando-se na porta da sacada mantendo seu corpo de lado em relação às costas do garoto.
─ Você está fazendo tudo isso de novo. ─ ele disse dando uma olhadela através de seu ombro para checar a garota. Encontrou-se com os olhos dela que fizeram com que ele tremesse por dentro. ─ Você está tentando ME fazer implorar.
─ Quem implora é o perdedor agora? ─ perguntou agora se aproximando e ficando perto dele também encostada na grade da sacada.
─ É o nosso ciclo vicioso. ─ ele apenas disse cruzando os braços e mudando de posição, agora encostando suas costas na grade.
─ Eu te amo. ─ ela sussurrou, tanto para ele como para si mesma. Ela estava finalmente convencida daquilo mesmo depois de não pensar em cogitar isso nunca.
─ O quê? ─ ele havia ouvido perfeitamente, mas algo em sua mente ainda dizia que havia algo errado. Ela nunca havia amado ninguém. Ninguém.
Ela bufou e andou até ficar de frente para ele, encostando as costas na porta.
─ Eu. Te. Amo. ─ disse agora alto e claro. ─ E se você precisar, eu imploro para você dizer que também me ama.
─ E se eu não te amar? ─ ele levantou uma sobrancelha e descruzou os braços aproximando mais dela. Assim era possível notar os quase vinte centímetros de diferença dele para ela.
─ Então eu posso implorar para que você ao menos não se vá hoje. ─ ele bufou e ainda mantinha uma expressão séria.
─ Você não me ama. ─ falou com firmeza.
─ Por favor. ─ ela insistiu cruzando as duas mãos e se aproximando dele.
─ Você não me ama.
Ele passou por ela e pela porta e foi para perto da porta do quarto que dava para o corredor do hotel. Ela andou rápido e se sentou na cama.
─ Eu estou implorando. ─ disse a garota fazendo com que ele parasse seu caminho até a porta. Ele se virou encarando-a e andando até onde ela estava sentada e ajoelhou-se em sua frente. ─ O que você está fazendo? ─ disse com um murmuro.
─ Eu estou implorando também. Mas eu estou implorando ajoelhado porque é o único jeito que eu encontrei de você entender que eu te amo mais para continuar com esses jogos. Eu não devia. Eu devia me amar mais do que eu te amo, eu tentei. E eu não consigo. Então por favor, destrua minha vida, leve meu coração contigo, me diga um milhão de vezes que me odeia e faça tudo novamente.
Ele encostou no rosto dela com a ponta dos dedos.
─ Por que eu faria isso?
─ Então eu vou te implorar para voltar e você vai finalmente me deixar, porque você estará cansada e desistirá alguma hora. Então eu posso provar à mim mesmo que eu sou capaz de morrer infeliz. Porque agora eu estou apenas provando que não sou capaz de viver sem você.
Ele a aproximou e a abraçou com força fazendo com que seu corpo se reclinasse na cama e os dois passassem a ficar deitados. Nesse tempo ele entrelaçou os dedos no cabelo loiro e molhado dela enquanto puxou-a até que suas bocas se encontrassem rapidamente. Eles já estavam corrompidos, porém sempre poderiam trazer a inocência de volta por alguns segundos.
─ Eu te odeio. ─ ela pronunciou olhando fundo nos olhos agora confortáveis dele ─ Você me tornou uma pessoa melhor.
─ Não, eu te tornei humana. Invulnerável a sentimentos alheios. Mate-me por isso com a pequena parte humana que eu deixei em você. Mate-me com seu amor.
28 de out. de 2010
E pense bem, doerá muito mais no final quando você descobrir o que é a realidade porque você acumula esperanças durante toda sua vida. Esperança? Essa é apenas uma palavra que determina ingenuidade. Eu quis muito ser ingênua. Dói que eu não possa ser. Dói que eu queira o melhor para mim mesma. Dói porque eu sei a verdade. Mas doeria muito mais se eu não soubesse.
Então eu não me importo quando você diz que precisamos de crenças para viver porque eu já sei que precisamos. Mas só para enquanto nós vivemos nós nos sentirmos acolhidos. Mas no final vai doer mais se você descobrir a verdade: nada dura para sempre.
14 de out. de 2010
Não colocou as luvas para pegar na chaleira e de certa forma gostou do contato de seus dedos congelados com o utensílio quente. Colocou o objeto morno rapidamente em cima da pia e nesse instante ouviu o barulho (ainda mais irritante que o da chaleira) da campainha. A loira deu uma olhada rápida para o relógio na parede e viu que já era tarde se indagando quem poderia ser. A campainha tocou mais uma vez e Maryann resolveu atendê-la. Arrastou as pantufas até a porta e limpou o olho mágico embaçado de onde aproximou seu pequeno olho avermelhado. Deparou-se com a imagem de seu melhor amigo bastante molhado.
─ Tom! ─ exclamou enquanto voltava a esfregar seus olhos ao abrir a porta.
─ Hey Mary. ─ ele disse, ou melhor, sussurrou cabisbaixo. Maryann nunca vira Tom daquele jeito, ele estava devastado e ela não conseguia ao menos ver seus olhos direito, eles encaravam alternadamente ela e o chão. ─ Posso entrar?
O jeito como ele perguntou não era como se ele fosse sua visita quase todo dia e ao mesmo tempo foi como se ele pedisse permissão para fazer daquele lugar o seu próprio lar. Seu par de olhos castanhos suplicava, mesmo sabendo que ele não precisava fazer aquilo para convencê-la, não era por aquele motivo.
─ Claro, entre. ─ ela finalmente pronunciou abrindo caminho para que ele entrasse no lugar pequeno e aconchegante. Maryann fechou a porta enquanto Tom andava em direção à sala de estar.
─ Desculpe se te acordei. ─ ele murmurou novamente enquanto se apoiava na única parede que dividia a sala de estar da cozinha onde a garota entrou.
─ Não, imagine. Estava fazendo chá. Aceita? ─ perguntou do outro cômodo e recebeu um som que parecia de afirmação. Thomas encarava todo o ambiente, estava confortável e esperava esquecer tudo o que precisava esquecer.
Pode ouvir o som das pantufas de Maryann voltando a seu encontro com duas canecas na mão. Ela apenas tomava xícara em canecas, talvez por isso qualquer um diria que não era inglesa, o que de fato era verdade. Mas Tom havia se acostumado com suas manias e até aderido algumas delas através da convivência.
─ Então, ─ ela falou, Tom podia perceber que ela havia acabado de acordar por sua voz, sabia que ela iria falar que não. ─ Você vai me contar o que houve primeiro ou vamos assistir Back to the Future logo?
O garoto sorriu brevemente de volta mostrando suas covinhas, aquelas terríveis covinhas que deixavam ele mais fofo do que já era naturalmente. Tomou um gole de chá de sua camomila. Maryann o entregou uma toalha para que se secasse antes de responder.
─ Eu não sei. ─ era difícil olhar nos olhos dela agora, ele não queria fazê-la se sentir mal porque sabia que isso acontecia toda vez que ele lhe contava algo. ─ Eu e a Gi terminamos.
Tom falou rapidamente tentando logo colocar pra fora o assunto.
─ É engraçado porque eu sabia que depois de todos esses anos eu ainda não estava preparado pra isso, mesmo sabendo que ia acontecer. ─ estavam os dois encostados na parede ─ E o pior é que eu nem sei o que estou sentindo em relação a isso. Às vezes é até alívio. Mas Gi é uma pessoa amável...
─ Sim, ela é. ─ a garota sabia o que vinha a seguir. Ouvira a conversa de Giovanna com Izzy no dia anterior e Tom não sabia, mas sua culpa estava preenchendo cada espaço dela mesma. Ela gostava de Gi, gostava mesmo.
─ Ela não pode ser nada mais entende?
Mary deixou o silêncio predominar e se aproximou de Tom enquanto tomava mais um gole de seu chá. Não tinha o que dizer.
─ Eu acho que eu que vou pedir para assistirmos Back to the Future agora.
Ele a abraçou forte e ela retribuiu enquanto sentaram no sofá ligando a TV da sala. Era apenas um sentimento confortável. Para ambos. Finalmente.
Foi meu sonho de ontem e hm, Tom Fletcher, check, Eu, check, Back to the Future, check, foi um ótimo sonho....
One Man Drinking Games
13 de set. de 2010
Seus olhos se fecham em um passe de mágica enquanto o calafrio corre a espinha até que tudo se tornasse negro e pudesse ouvir uma risada alta e animada no fundo. Era a risada singular dela. Só dela. E então a imagem se torna clara e a menina correndo contra o vento, achando engraçado mantê-lo em suspense. A seguiu. Como um ato involuntário, como se parecesse a coisa certa a fazer.
E então a imagem de grandes jardins surgia, todos bastante verdes apesar de já estar escurecendo. E eles se depararam com o quintal de sua velha casa, ela entrou e desapareceu. Com um sorriso no rosto você a seguiu, mas desta vez pulou sua cerca e escalou até sua janela, seguindo a bela risada.
Deparou-se com ela e estava escuro, enquanto se juntavam e você se aproximou do ouvido dela e sussurrou que a amava enquanto a apertava forte em seus braços e ela com destreza se desvencilhava de suas roupas e vocês se deitaram em silêncio assim como o sonho anterior onde capturavam vagalumes e contavam na ponta dos dedos os anos que passaram juntos. Na velha infância. E ela quase derramou lágrimas enquanto vocês se despediram.
E agora você abre os olhos e se pergunta se poderia dizer que a amou mais. Mais ou menos do que deveria, mas amou-a mais que ela te amou.
E você lembra de envolvê-la e sussurrar que tinha o direito de dizer que o calor vinha de você e ela ouviu seu coração parar de bater e queria não chorar enquanto sussurrava que eles haviam a dito uma história de despedidas ruins. Então ela jurou que te viu rindo e você jurou que a viu sorrindo e a época em que vocês passaram juntos era para durar um bom tempo. Você guardou aquele pedaço dela, aquela carta que continuava contigo e que você carregaria para o seu túmulo.
Você poderia ter dito que a amou mais? À garota que um dia será o anjo da salvação de alguém. E então você leva o copo até sua boca. Iremos brindar pelas memórias que compartilhamos, pelas esperanças e cuidados, por dois jovens descuidados inconscientes de sua ida. Porque antes de muito tempo você será uma memória. Porque antes de muito tempo ela será apenas uma memória.
Fireworks
31 de ago. de 2010

A música era aquela para ele, a única que o torturava assim como ela o torturou. Ele mirou pelo canto de seus olhos e a viu parada ali. Não importava mais e os dois sabiam disso. Ele se tornara apenas um daqueles milhões de faíscas que provocavam uma vida incômoda para ela. Ele percebeu.
Percebeu que era hora de libertá-la. Pois mesmo depois daquele barulho ensurdecedor e aquela bela imagem, os fogos de artifício não o incomodavam mais.
All About You
17 de ago. de 2010
“O que houve?” Perguntei virando para ela quando ouvi um suspiro longo. Ela estava ali, sentada em cima do balcão. O rosto naturalmente pálido e as bochechas levemente rosadas, as madeixas castanhas caindo em seus ombros em ondulações, seus olhos azuis cheios de tristeza e sua boca, aquele meio tempo entre grosso e fino que era mais avermelhado que o normal. E ela estava ali, ela definitivamente estava ali.
“Nada. Apenas... Essa música.” Ela murmurou com sua voz delicada e aveludada enquanto fazia uma leve força para descer do balcão. Terminei de secar a louça e lavei as mãos, estava tão distraído com seus olhos que não ouvi que o rádio soava baixinho All about you. Fiz um sinal de interrogação com minha testa como se perguntasse o que tinha aquela música, ela pareceu esboçar um leve sorriso no canto da boca por minha curiosidade.
“Traz-me de volta a alguns momentos.” Ela disse e nós passamos um bom tempo em silêncio. O refrão chegou e ela começou a cantarolar.
“And I would answer all your wishes if you ask me to but if you'd deny me one of your kisses, don't know what I'd do...” A surpreendi e ela virou-se para mim com uma expressão nova em seu rosto. Suas covinhas – aquelas malditas curvinhas em suas bochechas que me faziam rir como um bobo – se destacaram e seus olhos azuis ficaram estreitos. Levantei minha mão para que ela dançasse comigo, mas ainda sorrindo ela balançou a cabeça em negação. Fiz uma cara de quem havia ficado triste e comecei a fazer mímicas conforme a letra da música.
“So hold me close and say three words like you used to do”
“Dancing on the kitchen tiles, it’s all about you” Disse e ela finalmente se rendeu levando sua mão até a minha e dançando no ritmo da música. Sussurrava em seu ouvido enquanto sentia seus pêlos da nuca eriçarem. Naquele momento, era tudo sobre ela.
Segundo: Confesso... Escrevi cada linha pensando no Fletcher mas enfim ushauhsuahs estou com probleminha
Terceiro: Vou me internar por ter escrito uma coisa tão... sei lá.
Quarto: Se o We Heart It der mais um probleminha eu vou entrar em depressão... (Obs: Fotinho de Across the Universe)
Último: Vou finalmente fazer as aulas de baixo que eu queria o// Aprendiz de Dougie Poynter...
You Found Me
Andas sozinho com a neblina cobrindo até a altura de teus ombros, tua pele está amedrontada através do vento gelado. Refrigério é tudo que não te preenche, calmaria é tudo em volta de ti. Estás sozinho e isso é tudo. A figura abstrata do homem fumando o último cigarro que te vem à mente é tão real quanto a neblina em sua volta, mas estás sozinho. E isso é tudo. Esquina da Primeira com a Amistad.
Apenas admite que as incertezas são as únicas certezas que tens da vida. O que pensavas ser real era irreal e o momento que se segue parece tão irreal que sua mente o trata como real. E aquele abstrato ao teu lado era apenas mais uma de tuas distantes incertezas. E em um sopro você o pergunta em uma voz fraca, tomada por medo e insegurança, onde Ele esteve todo este tempo.
Os últimos dias, que não sabes se são muitos ou não, perdestes toda tua noção de tempo. Inconscientemente alguma vez indagou-se sobre Ele. E muitas respostas vieram à tua cabeça. Muitas. E agora não sabes qual dela cabe ao homem com o cigarro na mão, nada que pensastes, nada que ouvistes, nada que sentistes, nada que visses.
Nada que ouvistes.
— Pergunte-me qualquer coisa.
E Ele se pronunciou. Nada que ouvistes. Não era voz, não era o que esperavas, se é que esperavas algo. Não és um homem de fé, não és nada mais que mais um ser humano. E sabes disso através de tua voz. Ela não ecoa em teu interior, em tua alma como todos dizem. E a dúvida paira em tua cabeça.
E apenas perguntou onde Ele esteve quando tudo desmoronou em tua cabeça. E esperavas por milhões de respostas e não achavas nada. Todos os dias gastos ao telefone, que nunca tocou e nunca veio até a esquina da Primeira com a Amistad.
Todos os momentos em quais você se indagou e orastes tantas e tantas vezes em busca de respostas e tudo que vinhas era uma acusação. Onde Ele estava nos últimos momentos de “Adeus”? Ele estava escondido em tua palavra? Nada o fizera ter prazer em dizê-la. E o nada era o que mais motivava cada “Adeus”.
Logo no meio de tantas despedidas vistes teu corpo perdido vagando pelas estreitas e movimentadas ruas de tua mente. E toda a eloqüência te movia, apenas por não seres eloqüente. Primeiro o abandono de duas pessoas, que logo se tornaram três e assim se seguiram. Todas muito eloqüentes em suas despedidas. E você ali perdido, sem palavras.
— Me encontrastes, perdido e inseguro, deitado no frio chão, rodeado. Por que tiveras de esperar? Onde estavas?! — E uma falha soa em tua voz, abaixando significadamente teu tom — Me encontrastes, mas um pouco tarde demais.
E a insegurança de tua palavra vaia com tua incerteza. Não há resposta. Não há mais nada n’Ele além do movimento que levava o cigarro até a boca. Seus olhos se perdem no negro nas extremidades, mas a luz do azul vibrante, do verde da cor das águas, do castanho dos troncos velhos, do vermelho do sacrifício.
E Ele repete em tua mente. Não és um homem de fé. Não és nada mais que um ser humano. E isso para ti não é tudo. Milhões de dúvidas ainda pairam em tua cabeça. És muito menos que uma incerteza, és um ser humano. Para Ele isso é tudo. Para ti isso fora nada. Nada até de tuas convicções tirarem a dúvida e o escrito em um livro velho se tornar incerteza.
Ele estava ali para acabar com todas tuas incertezas. Mas era tarde demais. Todas as despedidas já haviam sido pronunciadas, todas as incertezas sanadas. E o que era incerteza agora era negação. E isso se passou a ser tudo. Mentira passou a ser tudo.
Erros passaram a ser vossos dilemas e não vos arrependestes qualquer segundo.
Em tua mente, o final parecia claro para cada vida. Elas nascem, passam um tempo neste cenário de dementes, segundo Shakespeare, e morrem. E isso é tudo. Esta é a maneira como encaras a vida e isto não o incomoda de qualquer jeito. Pois ainda há bilhões de pessoas como você. E você é apenas um ser humano. Logo, vocês estão ali frente a frente, o médico e o monstro.
E você perdera tudo. Tudo que um dia, mesmo que não fosse material, te pertencera. Toda a pele macia que podias acariciar à noite se desvanecera. E não sabes mais quem és. Não sabes quem não és. Não sabes o que quer ser. Não há como saber o tempo em que ela ficará ao teu lado.
Ele te achou, mas um pouco tarde demais.
Nota final: Não é apologia a qualquer coisa, apenas uma hipótese de um encontro que veio à minha cabeça que é basicamente a música homônima do The Fray.
Tempestade
31 de jul. de 2010
Lágrimas escorrem do meu rosto por tua causa. E eu sei que a culpa não está te corroendo, pois você nem ao menos é capaz de senti-la. Você apenas cava um buraco fundo e se enterra, com sua expressão monótona e seu mútuo silêncio.
Quando chove é sempre assim, você corre para seu buraco e eu permaneço derramando lágrimas escondidas. Você sabe que a tempestade não passa rápida e não pense que é por isso que você não consegue me olhar e ter uma simples conversa.
E quando eu vejo-o relampejar lá fora sei que você não compreende as chances que lhe restam para reverter a situação. Porque a tempestade chegou tão rápida como não vai permanecer e agora nós somos dois trovões confusos a trovejar contra nós mesmos. Nosso céu se tornou negro e cheio de nuvens.
Agora eu estou acabada.
Você permanece sem culpa.
Porém, a tempestade já passou.
Mas tudo indica que irá regressar.
And no, oh, how could you do this? An oh, I never saw it coming. 'Cause when it rain, you always find an escape just running away.
Sex on Fire
26 de jul. de 2010
A imensidão do negro, que era apenas quebrado por uma vela que se encontrava em seus últimos momentos de iluminação, era assustadora. Esta vela iluminava o contorno de dois corpos tão frágeis no chão. Eram tão rígidos quanto o inverno, o único movimento era apenas a respiração descompassada de ambos.
O suor percorria a pele pálida dos dois e seus olhos encaravam um ao outro com desdém. A lareira seria uma boa amiga naquele momento, porém ambos não faziam questão de acendê-la.
A garota, que tinhas vestígios de tristeza nos olhos, se contraia em uma tentativa falha de afastar o frio. O jovem ao seu lado desdenhava de sua ignorância e mantinha os olhos assustadores na vela acesa.
― Foi você que provocou isso, sabia? ― ela disse com a voz extremamente rouca e inválida, fazendo sua garganta arder mais que o inferno. Ela o encarava procurando alguma humanidade naqueles olhos, que formavam um caleidoscópio de lembranças nem um pouco agradáveis. A íris que era tão escura nas extremidades e uma mescla de azuis e verdes quase brancos perto da pupila. Aqueles temerosos olhos que suplicavam à luz da vela.
Ele por um momento voltou a encará-la como se tudo o que ele fizera não fosse nada. E esse nada era ela, aquele silêncio que ela ousou quebrar e que agora tornava tudo tão mais perto de acontecer. Aquele momento que por tantas vezes não foi nada para ele, que se tornou um ciclo vicioso, que acabaria aquela noite, mas ainda assim era nada.
― Você sabe que não me importou em algum momento sua presença? ― disse ele ríspido ― Tudo o que eu fiz não foi por você e não senti piedade em vê-la mal por causa de tudo. Mas ao mesmo tempo não tive sequer qualquer deleite em vê-la se arruinar.
Os próximos segundos se tornaram silêncio novamente e o espaço que os separavam era maior a cada instante, a dor na respiração dela aumentava e ambos sentiam o sangue quente, pela primeira vez, que percorria de forma lenta e torturante os corpos que alternavam de temperatura. O atrito com o chão já não era o suficiente, o suor não significava o calor. Mesmo que as palavras dele fossem jogadas com ódio, eram talvez as mais doces que ele havia dito para ela, as mais sinceras, as que possuíam algum vestígio sentimentalista.
― Eu te mereço e sei disso. Eu provoquei tudo isso e minha mente não se pronunciou sobre o lado ruim de tudo nenhuma vez. ― ele murmurou tentando transformar o silêncio em palavras dadas ao vento. Suas últimas confissões. ― Eu não te amo, você sabe disso. Mas tua falta me proporcionou tanto desejo que a cada pensamento sobre ti me parecia errado e me fazia querer mais atrito, mais sussurros, mais gemidos e mais gritos de dor. Porque eles sim me levavam a cometer qualquer crime, mesmo que pequeno, que rompesse esse momento de paz, ― naquele momento a única fonte de luz do quarto foi desfeita pelo vento e assim ele pode sussurrar o fim ― que sempre vinha contigo.
Absolvição
20 de jul. de 2010
Fogo percorrendo ossos.
Lábios percorrendo corpos.
Dedos procurando cigarros.
Desejo procurando fracasso.
Ausência.
Medo escondendo males.
Confusão situada em pares.
Suor misturando lágrimas.
Abstinência tecendo lástimas.
Monotonia.
Cigarros transmitindo desejos.
Indiferença transmitindo beijos.
Lágrimas transmitindo depressão.
Sentimentos instando absolvição.
O que acharam? Sério, é uma das minhas poucas poesias que me deixaram satisfeitas =)